DIEGO BARBOSA DA SILVA, Mestre em Linguística pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro e Especialista em Relações Internacionais Contemporâneas pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Anais do XXVI Simpósio Nacional de História – ANPUH • São Paulo, julho 2011
Introdução
O mundo não é mais o mesmo. A internet reduziu espaços, uniu pessoas, diminuiu distâncias, (re)criou “lugares virtuais”, aproximando-nos de espaços distantes. As fronteiras estão em movimento, o mundo transformou-se rapidamente nos últimos anos e a velocidade dessa transformação só aumenta.
A globalização e os avanços científicos e tecnológicos diminuíram as distâncias espacial e temporal entre os homens, conectaram culturas, possibilitaram trocas, promoveram profundas transformações no comportamento humano. Ela revolucionou nosso modo de pensar e ver o mundo e nos suscita a compreender esse novo homem, a descrever as ações produzidas por ela e a prever as próximas transformações. Nesse novo ambiente sócio-cultural, o campo linguístico também foi afetado e hoje convivemos com a competição, cooperação, interação entre línguas num contexto/enfoque global. A globalização potencializou o multilinguismo, ou mais amplamente o multiculturalismo, já que através dela e de seus avanços tecnológicos, como a internet, os espaços linguísticos foram ampliados e o fluxo de pessoas acelerado, permitindo situações diversas de contato de línguas e discussões sobre o direito de convivência e coabitação entre elas.
Diante das intensas migrações de pessoas em todas as partes do mundo, principalmente dos países pobres para os países mais desenvolvidos, qualquer grande cidade, sobretudo europeia e estadunidense é atualmente um retrato desse mundo globalizado. Em uma cidade como Londres, centenas, quiçá milhares de etnias coabitam o mesmo espaço. Sem dúvidas, os fluxos migratórios para os países desenvolvidos trazem mudanças, desafios, preconceitos e debates sobre identidade, nacionalismo e cultura.
Na emergência de lidar com tanta diversidade, tendo como parâmetro os direitos humanos, o paradigma do multiculturalismo ganhou força na Europa, mas trouxe consigo questões para refletirmos, desafios para as políticas públicas e custos significativos.
Nosso objetivo neste artigo é analisar se as políticas multilinguísticas da União Europeia são tão multilíngues a ponto de integrarem os milhões de imigrantes de diversas etnias que vivem hoje na Comunidade, cujo lema nos instiga: “Unidade na Diversidade”. Essa diversidade seria ampla o bastante ou apenas europeia? A partir daí, analisamos como os imigrantes são contemplados nas políticas, se elas visam a segregrá-los ou integrá-los na sociedade europeia, levando sempre em consideração os direitos desses indivíduos e o contexto sócio-histórico de todo o processo migratório.
Propomos estudar as políticas europeias comunitárias para os imigrantes através das políticas linguísticas, pois acreditamos que elas por si constituem uma dicotomia. De um lado o direito do indivíduo de falar sua língua materna, símbolo de sua identidade, que escapa ao controle do Estado e, de outro, o interesse das elites estatais em fazer da língua oficial do Estado um baluarte de nacionalismo para a consolidação desse próprio Estado. Escolher a União Europeia como campo de análise também não foi difícil, pois a necessidade de integração entre os países europeus fez com que o bloco desenvolvesse e implantasse as primeiras políticas multilinguísticas do mundo, além de a comunidade apresentar grande número de imigrantes, a maioria vinda dos seus ex-domínios coloniais, de todos os continentes.