06/01/2013- Visão- Luís Ribeiro, Thiago Mourão e Lorena Amazona
O inglês e o portunhol não chegam. Cada vez mais portugueses se aventuram por idiomas que lhes abrem melhores perspetivas de carreira - mesmo que isso signifique emigrar. Mas em que línguas devemos apostar?Num momento como este, nenhuma empresa portuguesa contrata um especialista em programação robótica. O receio de Gonçalo Gomes, 30 anos, logo se transformou numa dolorosa certeza, a cada novo currículo enviado e invariavelmente ignorado. Para piorar a situação, também a sua mulher, Marta, enfermeira, de 25 anos, não conseguia mais do que uns trabalhos precários e a meio tempo, numa clínica ou noutra."Começámos a pensar na nossa filha, que tem agora 4 anos, e no nível de vida que lhe conseguiremos dar nos próximos dez anos", recorda Gonçalo. "Decidimos abrir os nossos horizontes e enviar currículos para o estrangeiro. E, em junho, tivemos excelente feedback de empresas alemãs. O único problema é que exigiam que soubéssemos falar a língua."Em setembro, Gonçalo e Marta entraram para um curso intensivo na DUAL, o departamento de qualificação profissional da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Alemão, em Lisboa. Em menos de três meses, a quatro horas por dia, cinco dias por semana, tiraram o certificado que comprovava o domínio aceitável da língua germânica. Em fevereiro ou março, Marta deverá partir para a Alemanha (que tem uma enorme carência de enfermeiros), faltando apenas saber para que região.E não se pense que o casal corre o risco de se separar: a empresa com que Gonçalo tem mantido contactos está de tal forma interessada em contar com a sua experiência que lhe dará até a possibilidade de escolher entre várias sucursais, presentes nas maiores cidades alemãs. Isto para não falar dos salários - dizer que vão ganhar o dobro do que poderiam esperar em Portugal seria pecar por defeito. A filha de Gonçalo e Marta, que emigrará com os pais, crescerá com menos sol e menos praia, mas terá uma vida bem mais confortável."Temos tido muitas solicitações de empresas germânicas para profissionais de diferentes áreas", diz Elísio Silva, gestor da DUAL. "Na maior parte das profissões, é indispensável conhecer a língua, pelo que será sempre uma boa aposta aprender alemão.